terça-feira, 7 de maio de 2013

O futuro do encontro entre o cinema independente e seu público


No mês de abril aconteceu a 15ª edição do Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires (BACIF), entre os dias 10 e 21, na capital Argentina. O evento tem como proposta a inclusão de produções independentes no circuito de distribuição e internacionalização cinematográfica. Com o mesmo objetivo de realização, podemos destacar também a Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, que em janeiro teve sua 16ª edição, e pode ser considerada uma das maiores vitrines do cinema independente brasileiro.

La Paz, de Santiago Loza, ganhou o prêmio de melhor filme nacional do BACIF 2013


Ambos os eventos são recheados de produtos audiovisuais de qualidade, que apesar de não terem os mesmos recursos que os grandes estúdios, podem contar com o auxílio ofertado por meio de leis de incentivo de projetos culturais e também com os avanços tecnológicos, que facilitam e barateiam estas produções. Ou seja, temos uma grande variedade de bons filmes independentes, tanto aqui como em outros países. Porém, enfrentamos uma grande dificuldade em fazer o contato entre estas obras e seu público, que ficam restritas, na maioria das vezes, apenas aos festivais.

Por que é tão difícil encontrar salas que façam a exibição destes produtos? Hoje o mercado está cheio dos seus blockbusters (lançados pelas grandes distribuidoras), e o público que consumiria as realizações alternativas não encontra oferta. É claro que a demanda pelos blockbusters é maior, e por isso, é pouco provável que o quadro da distribuição feita pelo mercado cinematográfico mude.

Mas então, qual será o recurso que a minoria que aprecia o cine underground poderá utilizar para ter acesso ao produto de seu interesse? Pode-se dizer que a internet já vem cobrindo estas brechas, e se tornando uma distribuidora em potencial deste material (mesmo que ainda não esteja lucrando com isso). No entanto, a exemplo da indústria fonográfica, que estabeleceu uma relação de mercado com seus consumidores (como na iTunes), pode ser que em breve o mesmo seja adaptado aos filmes.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Primórdios do Cinema: Como tudo começou


L'Arroseur Arrosé (França/1895) - Dirigido por Louis Lumière




La Sortie des usines (França/1895) - Dirigido por Louis Lumière





L'Arrivée d'un train en gare de La Ciotat (França/1895) Dirigido por Louis Lumière





Le voyage dans la lune (França/1902) - Dirigido por Georges Méliès 




La Fée aux Choux (França/1896) - Dirigido por Alice Guy Blanche





The Adventures of Kathlyn (EUA/1913) - Dirigido por  Francis J. Grandon (seriado)








Observatório: Divulgação e Marketing de Filmes


Campanha: #vemseanpenn

O que para alguns parece ser apenas uma campanha comovente, que pretende realizar o sonho de Ariel, ator com síndrome de down e, fã de Sean Penn, é na verdade uma bela estratégia de marketing para a divulgação de “Colegas, O Filme”. A produtora do vídeo de lançamento do longa, usou o sonho de Ariel para ajudá-lo e, também, para divulgar o filme, que foi lançado no dia 03 de março de 2013. 

O vídeo já teve quase 1 milhão e meio de visualizações:

As produções de Hollywood utilizam de 30% a 50% de seu orçamento para a divulgação e marketing dos filmes.  A partir desse dado, tem-se a noção da importância do marketing para o produto do cinema.

No marketing para cinema, 4 itens são fundamentais:

1- Como aplicar determinado produto a um público-alvo
2- Qual o preço justo a ser aplicado
3- Que tipo de promoção será aplicada ao produto
4- Onde o mesmo será distribuído

O produtor espera o lucro e, o cliente, a plena satisfação do produto.

Alguns meios que podem ser usados para se divulgar um filme: Trailer, Cartaz, Junket Press, (evento que reúne a imprensa para a divulgação de filmes de Hollywood), Entrevistas em programas de TV, Pré-estreias, Ações na internet, Outdoors, Promoção na mídia, Redes sociais, Divulgação de fotos das gravações, elenco, etc.

Algumas campanhas dão sucesso e visibilidade ao filme, mas depois do “boom”, são bastante contestáveis:

“Bruxa de Blair” e “Atividade Paranormal” se diziam histórias reais, o que não era verdade. Entretanto, a jogada fez os filmes (que eram de baixo orçamento)  ganharam muito dinheiro.
A Vila, fez seu marketing baseado na frase “Não conte o final a ninguém”, o que gerou revolta em muitas pessoas que acharam o final e a ideia totalmente sem graça.





Para se destacar seu filme, produtores utilizam ou contratam pessoas para se utilizarem de criatividade na hora da divulgação

Criação da JWT Brasil para divulgar “Superman: O retorno” 



Divulgação semelhante de “Kill Bill” 



Divulgação de “A Era do Gelo 4” no Rio de Janeiro 


Divulgação de “O Dia Depois de Amanhã” na Índia 



Para a divulgação de “Serpentes a Bordo” (2006), um site organizou uma promoção no qual pessoas preenchiam informações para enviar aos amigos. Com isso, o ator Samuel L. Jackson dava telefonemas para essas pessoas, chamando-os para assistir o filme. Mais de 10 mil mensagens foram enviadas nas primeiras 24 horas. 



Para a divulgação de “À Beira do Abismo” (1956) a Warner Bros veiculou uma publicidade nos jornais que desafiava o público a dormir durante o longa. Quem conseguisse, ganharia 100 dólares. Mas isso seria impossível, devido a emoção implacável do filme. 



A Warner Bros. do Canadá criou uma instalação para divulgar o filme “Contágio”(2011). Para isso, contaram com a ajuda de microbiologistas e imunologistas de todo o mundo. Eles criaram uma mensagem escrita com microrganismos que foi exibida na vitrine de uma loja abandonada, numa noite.
Com duas “placas de Petri” gigantes, o pessoal inoculou fungos e bactérias pigmentadas formando desenhos das letras do nome do filme e do símbolo de risco biológico.


Cartazes

Alguns cartazes são tão bem feitos e aceitos pelo público, que viram praticamente obras de arte.  Você já viu vários deles sendo vendidos em lojas, para serem utilizados como quadros. 





“Hoje, os estúdios precisam menos da imprensa”

A palavra "junket" não tem tradução. Mas tem um significado específico: é um evento que reúne a imprensa mundial para a divulgação de um filme. Na época de lançamento de "E o Vento Levou" (1939), o estúdio MGM convidou jornalistas para uma viagem a Atlanta. Houve champanhe, hotel cinco estrelas, entrevistas com as estrelas e um brinde: uma máquina de escrever com as iniciais GWW ("Gone with the Wind").  Em "Pearl Harbor" (2001), jornalistas foram levados ao Havaí e fizeram suas entrevistas em um transatlântico.

Mas segundo a matéria do jornal Folha de São Paulo, as Junkets não são mais as mesmas

"Antes, tinha todo um glamour. Agora é uma relação mais comercial. É tudo na ponta do lápis", diz Márcio Fraccaroli, da distribuidora Paris Filmes.
A Paris convidou a Folha para participar do evento de "Lua Nova", em Los Angeles. O convite incluía uma taxa de participação, em dólares: US$ 1.250 para entrevistas em grupo e US$ 1.750 para individuais. "Não sou eu que cobro, é o produtor", diz Fraccaroli. Quando não racha a conta, a empresa gasta cerca de US$ 6 mil por jornalista.”
"Isso é publicidade gratuita. Mas, hoje, os estúdios precisam menos da imprensa. Há comerciais na TV e internet", diz Edward Jay Epstein, Ph.D. em ciência política em Harvard e autor do livro "O Grande Filme - O Dinheiro e Poder em Hollywood ", sobre os bastidores da indústria. Mas esses eventos são, ainda assim, um bom negócio. Enquanto uma campanha que inclua TV sai por cerca de US$ 20 milhões, a publicidade gratuita sai, no máximo, por US$ 2 milhões."

Pesquisas

Sites:


Artigo:

Processos e produtos midiáticos trailer: o passaporte da publicidade para o cinema

Livro:

Como ver um filme – Ana Maria Bahiana

          Crédito Imagens: Google